Comunicação interna, instrumento estratégico


Dados da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje) indicam que a comunicação interna ainda não é encarada como ação estratégica pelas companhias. Segundo pesquisa realizada pela entidade em 200 empresas, 37% consideram a atividade uma estratégia, enquanto 44% dizem que ela é apenas uma ferramenta tática.

Segundo Paulo Nassar, diretor-executivo da Aberje, a comunicação com os funcionários deve ser considerada tão importante quanto a realizada com consumidores. E isso, continua, é pensar estrategicamente no negócio:

— O público interno não deve ser deixado de lado. Mesmo porque, ele entra em contato com o cliente. Não importa a posição que ocupe: o empregado deve saber o que se passa dentro da empresa.

Empresas que investem em comunicação interna reduzem a circulação de informações erradas pelos corredores. Ou seja, evitam a ação da chamada rádio-peão.

— É claro que os temas não precisam ficar apenas centrados na companhia. De qualquer maneira, uma boa comunicação contribui para diminuir mal-entendidos internos — afirma Nassar.

A pesquisa mostrou que atividade não é restrita a especialistas em comunicação: em 43% das empresas entrevistadas, a função é de responsabilidade de departamentos de Recursos Humanos. Porém, Nassar acredita que jornalistas e relações públicas devem estar no comando.

— É preciso saber identificar o que é notícia e o que é relevante divulgar. Essa tarefa deve ser executada em sintonia com o setor de Recursos Humanos, verdadeira fonte de notícias da empresa. O trabalho também é função dos gestores do negócio e da direção da empresa. Afinal, as pessoas não são alienadas.

A pesquisa também mostra que há empresas que investem em comunicação, mas não medem os resultados de suas ações.

— É um erro. Como podem investir sem depois avaliar os resultados? Das entrevistadas, 67% não avaliam suas ações. É preciso, pelo menos, fazer uma pesquisa de opinião. Por mais que se invista em comunicação, a melhor mídia é o sapato. Ou seja, o gestor deve passar pelas áreas e ouvir sua equipe — conclui Nassar.

A seguir, algumas aspectos da comunicação interna que devem ser considerados:

CONCEITO: A comunicação interna deve ser ágil, seguir um planejamento estratégico e ter uma linha editorial.

TEMAS: Ela serve para transmitir aos funcionários mudanças operacionais e estratégicas feitas na empresa, informações administrativas, ações da empresa e participações da companhia no mercado. Podem ainda tratar de assuntos ligados a responsabilidade social, meio ambiente e eventos culturais. Há empresas que reservam espaço também para notícias dos próprios empregados.

RESPONSÁVEIS: O ideal é que os Recursos Humanos participem da ações da comunicação. Mas os responsáveis, segundo a Aberje, devem ser jornalistas ou relações públicas. Os gestores do negócio também devem estar envolvidos no processo.

CANAL DE COMUNICAÇÃO: São diversos os meios que as empresas podem utilizar para implantar seu sistema de comunicação para os funcionários. Os mais utilizados são jornais, revistas, informativos, intranet e vídeos.

PEQUENAS EMPRESAS: A comunicação não é privilégio de grandes empresas. As companhias menores também podem implantar projetos de comunicação. Como, por exemplos, promover encontros entre funcionários, criar informativos que, inclusive, podem ser feitos via terceirização.





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