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O desafio da revolução tecnológica nas redações
Eugênio Araújo
Duas décadas e meia depois , a informatização dos principais jornais brasileiros é uma realidade e a redução do tempo entre a captura da notícia e sua impressão chega também a centenas de médios e pequenos periódicos espalhados pelo território nacional. O desafio dos fornecedores de hardwares e softwares, nesse momento, é a concepção de produtos e serviços que caibam no bolso de empresas jornalísticas de porte menor.
Na outra ponta da escala de mercado, as empresas que atuam no segmento procuram sofisticar o atendimento aos “grandes clientes” (como Grupo RBS, Organizações Globo, Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo). Preparam o ambiente tecnológico para o cruzamento entre jornal, revista, internet, rádio e até televisão. Este conceito (Cross Media) ultrapassa a fronteira editorial, passando pelos serviços prestados ao anunciante e às áreas de circulação, telemarketing e atendimento (passivo e ativo) ao leitor, ouvinte, telespectador ou internauta.
Aos veículos, o importante é reduzir os custos de produção (de um lado) e ampliar a margem de rentabilidade (de outro). Pontos cruciais numa indústria que, nos últimos sete anos (1997-2001) investiu nada menos que US$ 700 milhões em parques gráficos e sofisticados equipamentos de última geração para ganhar tempo (e produtividade) no fazer jornal. Vale lembrar o que se tornou recorrente nos encontros entre executivos dos veículos, neste ano agitado (dentro de fora do País): avaliar a corrida atrás da receita para saldar as dívidas em dólar. Num momento em que a moeda vive de sobressaltos, num vai-e-vém que dificulta planejamento e projeção da vida jornalística nos próximos 2003 e 2004.
Observe-se o vertiginoso salto tencológico dos últimos 25 anos, nas principais Redações brasileiras – no qual não é forçar a barra lembrar a cena de 2001 Uma Odisséia no Espaço. Nele, Stanley Kubrick mostra um primata que descobre, numa ossada, a função de arma e lança o objeto ao espaço... Num lance de gênio (cinematográfico) o projétil vira uma espaçonave.
Pois, em meados da década de 70, o linotipo ainda habitava o prédio de grandes Redações. E muitos torceram o nariz quando o chumbão foi aposentado,dando lugar aos primeiros sistemas de composição a frio. Sistemas eletro-mecânicos passaram, a seguir, a imprimir velocidade à pré-impressão. Logo depois, com sistemas semelhantes ao CSI (usado em jornais como O Globo e Zero Hora), a máquina de escrever começou a sair das mesas (e não faltaram protestos com a mudança).
Do exterior, vinham notíciais de que o The New York Times, Boston Globe, além de publicações alemãs e francesas passaram usar computadores ligados a uma central. Na tela das máquinas, apareciam as colunas; daí para o sistema de paginação, com espaço para foto foi um passo. No final da década de 80, Redações como a de O Estado de S. Paulo já utilizavam o novo processo e, quinze anos depois, os sistemas editoriais estavam definitivamente implantados nos principais jornais brasileiros.
Na virada da década (1999-2000) a ossada virou espaçonave e o jornalista passou a ter o controle de páginas inteiras, com equipes trabalhando em matérias de forma simultânea, cortando e escolhendo foto. O comercial passou a ocupar seu espaço eletronicamente, recebendo anúncios pela internet e jogando no sistema para publicação. Não bastasse isso, o processo de fotolitagem antigo segue o mesmo destino do chumbão – agora, já são mais de 10 os jornais brasileiros cujos fotolitos foram substituídos por sistemas que gravam diretamente as chapas. É o CTP – Computer-To-Plate.
Além de dar velocidade ao processo de pré-impressão, afiançam usuários de porte que, dependendo da tecnologia adotada, o CTP pode reduzir em até 20 por cento o consumo de tinta. Os resultados estimulam a expansão do sistema.
A discussão dos jornais agora está em torno do melhor uso da tecnologia, que permite redução drástica do espaço de tempo entre a ação do repórter e a saída do jornal na esteira rolante. Isso agora depende da logística, amparada no modelo de negócio. Fechar às oito da noite ou a uma da madrugada é decisão que depende do horário em que se deseja atingir as bancas do interior de País e os assinantes próximos à sede do periódico. Há pouco tempo, as fotos de capa de um jornal precisavam “descer” mais cedo para não atrasar o fechamento... Hoje esse problema praticamente inexiste, não só pela melhoria do processo, mas também pela adoção da foto digitalizada.
Qual é o desafio agora? Bem, nas Redações, ainda se discute certa camisa-de-força do sistema editorial sobre capas e páginas criativas... Contra esse argumento, Cadernos B e matérias especiais com fotos recortadas e entradas sinuosas de anúncios são feitas em sistemas de grande porte. Tanto de jornalistas, quanto de técnicos a serviço das empresas de hardware e software, uma frase de consenso: o trabalho conjunto permite adaptações do sistema às necessidades de formato e conteúdo das páginas.
Desafio dois: fazer a conexão, com qualidade, entre o conteúdo dos jornais, rádio, TV e internet. As Organizações Globo, o Grupo RBS e o Grupo Estado já passaram o período de testes e colocam na mão de leitores, ouvintes e internautas material trabalhado nas diversas mídias. Mas a ferramenta tecnológica necessita ajustes para que os usuários atinjam seus objetivos.
O terceiro desafio tem a ver, sobretudo, com ampla parcela de veículos vinculados à Associação Nacional de Jornais – são periódicos de médio e pequeno porte que estão na fase da transição tecnológica, à caça de sistemas editoriais que resolvam suas necessidades de velocidade e eficiência, mas que caibam no caixa da empresa no final do mês. Empresas como Terá Brasil e Unisys acompanham essas necessidades e, nos últimos meses, percorrem o Brasil apresentando suas soluções. Vão da oferta de sistemas completos, para grupos de pequenos jornais consorciados, à elaboração de sistemas que, embora compactos, carregam o “DNA” do sistema-mãe. As duas vertentes possuem um ponto comum: a redução acentuada dos preços e das formas de pagamento.
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