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Mídia mercenária
Heitor Reis heitorreis@brfree.com.br
O ser humano é imperfeito, falho e inexperiente por natureza. Ou seja, em função disto, é também corrupto, por natureza. Assim, produz uma sociedade que é resultado do somatório ou multiplicatório das características individuais de seus componentes, culminando em um sistema capitalista selvagem, onde predomina a bestialidade comum dos humanos com os animais predadores. Ou um sistema socialista com o mesmo perfil. Isto é, na prática, a teoria é outra.
O homem é ditador por natureza. Mentiroso, enganador, hipócrita, etc. E, quanto maior o poder que adquire, mais evidentes ficam suas deformações de caráter. Mas a atividade onde isto nos traz maiores prejuízos é a mídia, onde todas estas nossas possibilidades e realidades são maximizadas, clonando e aprimorando nas mentes incautas, que formam a maioria da população, o estilo "Bad-Boy" de vida.
Tenho um irmão que ocupou cargos na média administração de grandes empresas de Minas Gerais, o qual informa ser comum elas pagarem à mídia para produzir matérias, como se fossem espontâneas e naturalmente informativas, quando, na realidade são propaganda paga. Onde está a ética na atividade jornalística? Tudo balela!... O único objetivo é realmente o lucro. Se for possível, mostra-se a verdade até que atinja o ponto de equilíbrio, antes que comece a interferir com o alvo maior da atividade. O grande negócio é corromper e ser corrompido, enganando a massa.
Tudo e todos são meras mercadorias, à venda na grande vitrine do templo do deus Mercado. A questão, agora, é extrapolarmos o futuro da Nação e do planeta, dentro deste cenário. O que nos espera no futuro? Alia-se a isto matéria da Agência Folha sobre pesquisa da Transparência Brasil, que analisa o índice de corrupção das nações, e, neste caso, de nosso país. (www.transparencia.org.br) (1) 48% das empresas já se sentiram forçadas a pagar algum tipo de pedágio para participar de licitações ou para escapar do pagamento de impostos. (2) O estudo também revela que 70% das empresas já se sentiram obrigadas a contribuir para campanhas eleitorais. Mais da metade delas (58%) afirmou claramente ter recebido do político a promessa de receber alguma vantagem em troca. (3) Longe de chocar, a corrupção é até vista como normal em alguns casos. Essa prática, apesar de ilegal, é aceita por 33% das empresas ouvidas. Entre os empresários do setor de serviços, essa fatia passa para 40%. (Da Agência Folha, 29/11/2002)
A mídia informa somente o que lhe convém, ou ao que convém a quem lhe paga para mascarar notícias. Ou evitá-las. Ou, ainda, superficializá-las, dosando, em cada caso, a intensidade e a ênfase aplicada ao divulgar cada fato. Além da iniciativa privada, a mídia tem, como parceira natural no processo de dominação das massas, o próprio Estado, privatizado através de políticos também mercenários, com as almas vendidas àqueles que lhes financiaram as campanhas. Funcionários públicos, que praticam os fatos descritos pela Transparência, completam um quadro aterrador, porém impune.
Os cleptomaníacos são os senhores do Estado, da mídia, das igrejas e das grandes empresas, formando uma quadrilha extremamente sofisticada, assaltando as classes mais indefesas de nossa sociedade. Este é que é o crime verdadeiramente organizado! Onde todo mundo rouba todo mundo, ser honesto é particularmente uma arte impossível, como profetizava Rui Barbosa, um século atrás. Corrigindo: se todo mundo roubasse todo mundo, com a mesma intensidade, teríamos um caso extremamente justo de roubalheira. A democratização e socialização do furto. Mas, o problema é que os poderosos furtam os mais fracos e estes, somente conseguem dar o troco, caso entrem para o crime organizado em sua versão mais primitiva ou crime desorganizado mesmo. Mas, aí surge outro problema: a justiça está do lado do furto institucionalizado, já que a sentença também está à venda na bolsa de valores, em que se transformou a atividade estatal.
Percival de Souza, no Boris Casoy, em 15/12/2002, comentando seu livro sobre Tim Lopes, foi cristalino: o narcotráfico está infiltrado em todos os segmentos da sociedade e do Estado. Vivemos, segundo ele, sob uma narcoditadura, título de sua obra. Como poderemos acreditar que um mundo melhor seja possível, como nos assegura o Forum Social Mundial, o PT e outros segmentos otimistas da sociedade, inclusive o cantor Roberto Carlos (nesta mesma data, no Fantástico), cantando e decantando a superioridade do bem sobre o mal, quando tudo nos aponta para o fato de que a espécie humana está sofisticando e democratizando cada vez mais, tudo que sonhamos modificar no caráter dos outros?
Talvez seja o nosso problema, justamente não pretendermos modificar a nós mesmos, apesar de nosso raio de ação não ir mais longe que isto. Por detrás está o fato de que não temos nenhum interesse em fazer uma reflexão sincera sobre a realidade, percebendo para onde estamos caminhando, tanto individual quanto coletivamente, contando com a coloração "gratuita" da mídia, neste sentido. Ela contribui, conduzindo especialmente os telespectadores para uma realidade virtual e superficial, extremamente diferente das causas originais do que lhe determinam a condição de vida.
Que mundo nos espera no futuro? A resposta é extremamente óbvia: aquele que estamos construindo hoje. E, assim, as profecias apocalípticas do Anti-Cristo, controlando tudo e todos, institucionalizando explícita e mundialmente o domínio das trevas, torna-se sombriamente mais factível. (Apocalipse 13:15 a 17)
Heitor Reis, engenheiro civil articulista da ABN Agência Brasileira de Notícias e da KITNET, é membro da Assessoria de Imprensa do Distrito Federal.
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