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O papel do jornalismo cultural
Arão de Azevêdo (*)
Há muito se vem discutindo o papel do jornalismo numa sociedade. Será que o jornalismo informa ou mostra a verdade? No que diz respeito ao jornalismo cultural, como divulgador das identidades culturais, em sua maioria, ele apenas informa. Porque a verdade, muitas vezes, fica escondida atrás dos interesses financeiros. Vale lembrar que ganhar dinheiro não é proibido.
O que se discute é o papel do jornalismo como divulgador das verdadeiras culturas brasileiras. Será que o que vemos nos jornais é o reflexo das nossas culturas? Será que após 502 anos do 'descobrimento' - some-se a esse número a existência dos índios aqui na terra tupiniquim - a nossa cultura se restringe ao que a televisão nos mostra ou anda ditando por aí? Hoje, o grande papel dos meios de comunicação tem sido o de criar uma cultura industrializada, aqual permanecerá até que o público se mostre fatigado. E aí ela inventa outra moda, causando um processo que se chama perda da memória social. Vejam, por exemplo, as danças da bundinha, da garrafinha, dos tapinhas, os adornos do Marrocos, as micaretas e outras modas sazonais ditadas pela TV e que foram captadas pelo jornalismo e hoje estão em desuso.
Com o advento da Revolução Industrial criou-se o que hoje se chama de cultura de massa. Uma cultura que surge de noite e pela manhã vai embora. E nesse processo, sufoca as verdadeiras manifestações culturais.
Se se perguntar a alguém de alguma cidade paraibana, qual é a representação do artesanato local, decerto essa pessoa não saberia responder. O problema não está nela saber ou não o que representa o artesanato local, mas está na falha do jornalismo como divulgador e conceituador das identidades culturais - nesse caso - paraibanas. Já que a cultura é fonte permanente de progresso e desenvolvimento. Como se sabe, a cultura nasce da necessidade do homem em se adaptar à região e às condições em que ele vive, criando um conforto satisfatório. E isso nos leva à conclusão de que as culturas são evolutivas.
No entanto, essa evolução tem que se manter representadora dos seus traços primeiros. O vaqueiro sertanejo ao trocar as suas indumentárias de couro por outro tecido, estará enterrando uma cultura de séculos. E não é isso o que se deseja. O papel do jornalismo cultural está em se discutir os atentados de grande barbárie que têm acometido as nossas manifestações culturais e de produzir na sociedade uma vacina para que este mal não cause a perda da memória cultural. E isso se dá a partir da percepção de identidade cultural e resistência que cada um venha a adquirir através da divulgação das nossas verdadeiras expressões culturais.
(*) Jornalista especializado em Jornalismo Cultural, atualmente trabalha como diagramador do jornal Diário da Borborema, de Campina Grande (PB).
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