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A TECNOLOGIA A SERVIÇO DA EMOÇÃO
Um dos desafios de qualquer processo de comunicação é conquistar credibilidade. Ao lado de tantos outros atributos – clareza, relevância,significado, atratividade, agilidade –, a transmissão da mensagem só cumpre seu papel se o destinatário acreditar nela. E essa premissa ganha um peso ainda maior quanto se trata da comunicação interna nas empresas.
Criar e gerir um sistema de comunicação que tenha a confiança dos funcionários é a meta – em alguns locais, um sonho – dos profissionais da área. Nessa tarefa, é preciso contar com vários recursos. Nenhum meio, por melhor que seja, cumpre esse papel sozinho. É da soma das características de cada um deles – a agilidade da intranet, a força documental dos veículos impressos, a empatia da comunicação oral – que se obtém um mix capaz de atingir o público-alvo na hora e da maneira certas.
É nesse quadro que a utilização de uma nova mídia vem contribuir para fazer chegar aos pontos mais distantes alguns ingredientes importantes – a emoção, o rosto e a voz de quem tem uma história para contar . As chamadas revistas ou jornais eletrônicos atendem a essa necessidade. E, nesse segmento, a tecnologia do DVD coloca a comunicação empresarial em linha com o que há de moderno e , de certa forma , de avançado na área.
Sob alguns olhares de dúvida, dentro e fora da instituição, iniciamos uma experiência no BANCO REAL/ABN AMRO Bank de produção de uma revista interna em versão eletrônica – o Juntos no DVD. A proposta era levar o veículo à rede de agências, espalhadas por todo o País. O primeiro passo, como não poderia deixar de ser, foi equipar as agências com aparelhos de TV e de DVD. Em seguida,na produção da revista, tomamos alguns cuidados, como o de colocar funcionários no papel de transmissores da informação, criando uma identidade com o interlocutor e, sobretudo,eliminando intermediários no processo de comunicação
Apesar de haver críticas ao meio/veículo ( afinal, dificuldades ainda existem – e sempre existirão ) as edições do Juntos no DVD vem nos mostrando que muitas das teses em que acreditamos têm respaldo na realidade. Em primeiro lugar, o DVD leva a imagem de pessoas que trabalham na Organização. Com elas,além do testemunho ( em muitos casos incluímos clientes,parceiros e pessoas da comunidade), vai o sorriso, o olhar, o clima (do evento, da entrevista). Não há palavra que consiga transmitir, na plenitude, a emoção que marca e dá a cor própria a cada acontecimento.
A revista eletrônica, com todos os recursos proporcionados pela tecnologia do DVD, especialmente a qualidade superior, tanto em imagens quanto no áudio, e a possibilidade de aglutinar vários vídeos numa mesma peça, serve a outros objetivos sempre batalhados nas organizações: ela estimula a reunião das pessoas, que se encontram num determinado horário, no local de trabalho, para assistir à edição. Esse é um ponto que fica a descoberto com os outros veículos. A intranet, por exemplo, é muito ágil, mas o acesso é individual. Os impressos podem ser lidos dentro ou fora do trabalho, mas não em conjunto.
Já a chegada do DVD às agências e às demais áreas de Organização – acompanhada do devido anúncio de que a revista eletrônica começa a circular – é um estímulo, um cutucão para que o gestor encontre tempo para exibir a edição para sua equipe. Potencializa um comportamento de liderança, da interação com a equipe - valor importante na cultura organizacional .Inclusive, é esperado do papel do gestor mais do que informar, essa é uma oportunidade para reunir os funcionários e debater com eles temas importantes na estratégia da Organização – sempre presentes nas edições. O prograva via DVD reforça este item da cultura .Portanto,é um incentivo a mais para o gestor exercitar a comunicação oral, pessoal, que não substitui, jamais, os demais meios, mas converge na busca de um “ mix “ ideal das mensagens.
Todas essas características nos fazem insistir na inclusão da versão eletrônica no composto da comunicação interna. O desafio não é a tecnologia em si. O “ x “da questão é fazer do veículo um meio atraente, não apenas informativo, tão bom e gostoso como podem ser outros meios, com um algo mais: aquilo que só os olhos, ouvidos e o coração podem captar para completar o processo de comunicação democrático , consolidando a importância do trabalho em equipe.
Carlos Parente é diretor adjunto de Comunicação Interna do Banco Real/ABN AMRO Bank, professor de comunicação na ESPM e de MKT na Faap.
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