A boca pequena



O segredo de sucesso de uma decisão estratégica é diretamente proporcional ao nível de manutenção do segredo da informação que ela exige.

* Por Luis Alcubierre

Uma das coisas mais sedutoras na comunicação é a ambigüidade e o aparente poder que às vezes ela causa. Talvez por isso seja tão fácil entender porque algumas pessoas não entendem que há momentos e “momentos” para se dizer as coisas. Uma vez ouvi de um guru que os profissionais mais bem-sucedidos são aqueles que sabem o momento certo para falar e que falam estritamente o necessário. Como as informações têm graus de segurança e importância, quero crer que ele tem razão. É certo que dentre as milhares de informações que nossas redes neurais processam diariamente, há aquelas que efetivamente possuem mais ou menos relevância.

Temos uma forte inclinação para não esquecer de fatos que geram mudanças e principalmente para aqueles que passam do estágio de sigilo para o domínio público. Esse mesmo guru me explicou que sigilo ou confidencialidade devem ser encarados como sinônimos de segredo. Contou para alguém, deixou de sê-lo. Mas se esse tipo de informação for dividido exclusivamente entre um grupo de pessoas que consiga mantê-lo nesse nível, maior será o tempo de manutenção do sigilo. No teatro de operações do ambiente empresarial, muito já se questionou se a informação tem ou é poder. Ela até pode não ser “poder”, como algumas correntes do pensamento já argumentaram, mas ela, em minha opinião, tem ... e muito. Isso pode ser canalizado para o bem ou para o mal.

Infelizmente, nem todos percebem que a informação pode ser um projétil pronto para perfurar todos os tipos de armadura, das frágeis às mais pesadas. Por isso, ter domínio sobre a informação, se não é poder, é uma grande responsabilidade. Se uma informação, por mais negativa que possa ser, for bem utilizada e divulgada no tempo certo, poderá gerar um resultado pacífico, produtivo e conciliador. Se não seguir um plano que busque esse entendimento, o efeito invariavelmente é devastador. Um dos sonhos de qualquer profissional é ver que as pessoas são tratadas com ética, respeito e atitude no local de trabalho. Essas três ações têm tudo a ver com comunicação. Ética está relacionada à transparência da informação; respeito, à velocidade com a qual a informação deve ser transmitida; e atitude tem total vínculo com o modo e com a intenção de comunicar os fatos a quem de direito. A questão da manutenção de uma informação em segredo não é exclusividade da alta direção de uma empresa. Pelo fato de sermos agentes de comunicação onde trabalhamos, a responsabilidade deve ser dividida.

Não são poucas as vezes em que nos deparamos com a famosa rede de informações paralelas nas empresas – as tais rádio-corredor, rádio-peão, etc. Elas, muitas vezes, funcionam melhor do que uma transmissão via satélite. Funcionam no sentido da velocidade, quero dizer. Se as informações aparentemente não sugerissem poder, as pessoas não se importariam tanto com elas. E por quê? Porque para algumas pessoas o fato de contar a novidade para alguém dá uma incrível sensação de superioridade, de importância e até de poder. O que fazer para combater isso? Sempre haverá nas empresas a figura do especulador. Geralmente é o propagador da fofoca. Costumo chamá-lo de “trombeta do apocalipse”. É aquele que gosta de colocar uma lenha na fogueira, de fazer fumaça. Não se pode negar que em alguns momentos onde há fumaça, há fogo, mas e daí? Ainda não compreendi que vantagem há em espalhar notícias que nem ao menos são apuradas e que vão perdendo qualidade durante o caminho. Talvez para quem goste de ver o circo pegar fogo valha alguma coisa.

Para quem gosta de valorizar o clima organizacional, vale uma boa dor de cabeça. Onde está o segredo para combater esse mal? Acredito que cada empresa tenha uma solução diferente, que se compatibiliza com a cultura, o perfil e tantas outras características que ela tenha. No mais e em comum com todas as organizações, apenas o fato de que não se pode esquecer da ética, do respeito e da atitude. Valorizar a segurança das informações e combater o seu vazamento, se não elimina o mal estar, no mínimo ameniza o impacto. E cá entre nós ... isso já é uma grande vantagem.



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